Guia prático · Compras e fornecedores

Aumento de preços dos fornecedores no restaurante: como detetar, medir e controlar o impacto

Um guia prático para perceber quando um fornecedor subiu o preço, quanto isso custa por mês na mesma unidade de compra e como chega ao custo dos pratos — antes de fechar o mês.

Porque é que os pequenos aumentos passam despercebidos

Um fornecedor raramente sobe os preços de uma vez e para todos os produtos. Sobe cinco cêntimos aqui, muda a embalagem ali, deixa de fazer o desconto de sempre. Nenhuma destas mudanças chama a atenção numa fatura de trinta linhas — e a fatura total até pode parecer igual, porque compraste menos nesse mês.

O resultado aparece semanas depois, no fecho do mês ou na margem dos pratos: o custo subiu e ninguém sabe bem onde. Quem só olha para o total da fatura, ou para o total do fornecedor, descobre os aumentos tarde e todos ao mesmo tempo.


Aumento de preço, de quantidade ou da compra total: três coisas diferentes

A compra total a um fornecedor pode crescer por três razões: o preço por unidade subiu, compraste mais quantidade, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Só a primeira é um aumento de preço — e é a única que não depende de ti.

Por isso a pergunta certa nunca é «quanto gastei neste fornecedor?» mas «quanto paguei por unidade deste produto?». Valor da linha a dividir pela quantidade: é esse número que se compara de mês para mês. Uma fatura igual à do mês passado pode esconder um aumento, se a quantidade desceu; uma fatura maior pode não ter aumento nenhum.


Histórico de preços: como o construir e comparar com os meses anteriores

Um histórico de preços é uma lista simples: produto, fornecedor, data, quantidade e preço por unidade — uma linha por linha de fatura. Não precisa de cobrir tudo: os vinte ou trinta produtos que compras com regularidade representam quase sempre a maior parte do custo. Com dois ou três meses registados já dá para ver tendências; com um ano vês a sazonalidade.

Comparar com o mês anterior mostra a mudança mais recente. Comparar com a média dos três meses anteriores suaviza faturas atípicas — uma compra pequena, uma promoção pontual — e evita reagir a ruído. As duas leituras são úteis; a segunda engana menos.

Unidades comparáveis: o preço por quilo só se compara com o preço por quilo, o preço por litro com o preço por litro. Se a caixa passou a trazer dez em vez de doze, o preço da caixa pode estar igual e o preço por unidade ter subido vinte por cento. Antes de comparar, converte tudo para a mesma unidade — quilo, litro, unidade ou a mesma caixa.

Guia para organizar as faturas →

O impacto mensal em euros: a conta que interessa

A percentagem diz que o preço subiu; não diz quanto isso custa. A conta que interessa é a diferença de preço por unidade vezes a quantidade que compras por mês. Um produto que passou de 2,40 para 2,65 por quilo, a 120 quilos por mês, custa mais 30 euros por mês — 360 euros num ano, se nada mudar.

Feita esta conta para cada produto que subiu, a lista ordena-se sozinha: os três ou quatro do topo são a maior parte do problema, e é com esses que vale a pena começar. O simulador faz a conta por ti a partir dos três números.

Simulador: quanto custa este aumento por mês →

Como um aumento chega ao custo dos pratos

Cada prato usa uma quantidade de cada ingrediente. Quando o preço por unidade de um ingrediente sobe, o custo de cada porção que o usa sobe na proporção da quantidade que leva — e o food cost do prato, a percentagem do preço de venda que vai para ingredientes, sobe com ele.

É por isso que um aumento pequeno num ingrediente presente em muitos pratos pesa mais do que um aumento grande num ingrediente de um prato só. Saber que pratos usam o produto que subiu é o que permite decidir prato a prato: ajustar a receita, a porção ou o preço de venda — ou não fazer nada, se a margem aguenta.

Guia de food cost →Guia de margem dos pratos →

Rotina mensal de revisão de preços

Uma revisão por mês, antes de fechar as contas, chega para a maior parte dos restaurantes. Seis passos:

1
Reúne as faturas do mês
Sem as faturas todas não há comparação possível: uma fatura em falta é um preço que ficou por ver.
2
Regista o preço por unidade dos produtos que compras com regularidade
Valor da linha a dividir pela quantidade. Não precisas de todos os produtos — os vinte ou trinta que compras todas as semanas chegam para cobrir a maior parte do custo.
3
Compara com os meses anteriores, na mesma unidade
Preço por quilo com preço por quilo, preço por caixa com preço por caixa da mesma caixa. Se a embalagem mudou, converte primeiro.
4
Multiplica a diferença pela quantidade do mês
É o impacto em euros por mês de cada aumento. Uma percentagem pequena num produto de grande volume pode valer mais do que uma percentagem grande num produto raro.
5
Ordena pelo impacto em euros, não pela percentagem
Os três ou quatro produtos do topo da lista são, quase sempre, a maior parte do problema. É por aí que vale a pena começar.
6
Leva a lista para a decisão
Falar com o fornecedor, procurar uma alternativa, ajustar a receita ou rever o preço de venda. A decisão é tua — os números só dizem onde olhar.
Guia: comparar o que pagas a cada fornecedor pelo mesmo produto →Guia completo do fecho mensal →

Erros comuns ao lidar com aumentos de preço

1
Olhar só para a percentagem
Dez por cento no azeite que compras aos cem litros pesa mais do que trinta por cento numa especiaria que compras duas vezes por ano. A percentagem diz a direção; os euros por mês dizem o tamanho.
2
Comparar preços em unidades diferentes
O preço da caixa de doze passou a ser o preço da caixa de dez, o quilo virou embalagem de 800 gramas. Se a unidade mudou, o preço «igual» é, na prática, um aumento.
3
Confundir aumento de preço com aumento de compras
Uma fatura maior pode significar mais quantidade, não preços mais altos. Só o preço por unidade responde à pergunta.
4
Descobrir só no fim do mês, ou quando a margem cai
Um aumento que só se vê no fecho já custou um mês inteiro. Quanto mais cedo for visto, mais opções há.
5
Não ligar o aumento aos pratos
Saber que o produto subiu é metade do trabalho; a outra metade é saber que pratos o usam e quanto cada um passa a custar.

Como o Restro ajuda a acompanhar os aumentos de preço

O Restro faz este acompanhamento a partir das faturas que carregas: lê cada linha, guarda o preço por produto e por fornecedor e mostra as subidas do mês com o impacto estimado — sem folhas de cálculo. A análise de fornecedores e as variações de preço fazem parte do plano Avançado.

  • Histórico de preço por produto e por fornecedor, construído a partir das faturas que carregas.
  • Deteção de subidas quando existe histórico suficiente: o preço médio do mês comparado com a média dos três meses anteriores.
  • Impacto estimado em euros — diferença de preço × quantidade comprada no mês — para ver primeiro o que pesa mais.
  • Alertas de preço dentro da app para as subidas detetadas quando existe histórico suficiente.
  • Pratos afetados: quando o produto está ligado a receitas, vês que pratos usam esse ingrediente.
  • O mesmo produto comprado a mais do que um fornecedor: comparação do preço médio quando há compras comparáveis.

Checklist: os aumentos de preço estão sob controlo?

Antes de fechar o mês, confirma estes pontos:

Tens o preço por unidade dos produtos que compras com regularidade?
Comparas o preço de cada mês com os meses anteriores?
A comparação é feita na mesma unidade (kg, litro, unidade)?
Sabes quanto cada aumento custa por mês, em euros?
Sabes que pratos usam os produtos que subiram?
Os aumentos do mês foram revistos antes de fechar o mês?
Sabes o que vais fazer com os três produtos que mais pesaram?

Perguntas frequentes

Qual é um aumento de preço aceitável?
Não há um número universal. Cinco por cento num produto que compras todos os dias pesa mais do que vinte por cento num produto que compras uma vez por ano. O que interessa é o impacto em euros por mês — a diferença de preço vezes a quantidade que compras — e o peso desse produto no custo dos pratos. A referência é o teu próprio histórico: o que pagavas antes, a este fornecedor e aos outros, na mesma unidade.
Devo comparar com o mês anterior ou com a média de vários meses?
Os dois têm uso. O mês anterior mostra a mudança mais recente; a média de vários meses suaviza uma fatura atípica — uma compra pequena, uma promoção, um produto de outra qualidade. Uma forma prática é comparar o preço médio do mês com a média dos três meses anteriores — é também assim que o Restro deteta as subidas.
Como distingo um aumento de preço de um aumento de compras?
Pelo preço por unidade. Divide o valor de cada linha da fatura pela quantidade e compara esse preço, na mesma unidade, com o dos meses anteriores. Se o preço por unidade não mudou e a fatura cresceu, compraste mais; se o preço por unidade subiu, o fornecedor aumentou o preço — mesmo que a fatura total pareça igual.
O fornecedor subiu o preço. Tenho de subir o preço do prato?
Não necessariamente. Mede primeiro: quanto custa o aumento por mês e que pratos o usam. Depois há várias opções — falar com o fornecedor, procurar uma alternativa comparável, ajustar a receita ou a porção, ou rever o preço de venda. A decisão é tua; o guia da margem dos pratos ajuda a pesar cada uma.

Sabe quem subiu os preços antes de fechar o mês.

O Restro lê as faturas, guarda o histórico de preço por produto e fornecedor e, quando existe histórico suficiente, mostra as subidas do mês com o impacto estimado em euros.

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